Mostrando postagens com marcador Mons. Edson Magalhães. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mons. Edson Magalhães. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de dezembro de 2010

50 Anos de Paróquia – A Igreja em missão Homilia Mons. Edson

Homilia – Festa de São Francisco
03 De Outubro De 2008

O subtema que me foi dado para refletir para vocês e com vocês, como desdobramento do tema central desta festa: 50 Anos de Paróquia: A Igreja em missão, devo e quero recordar: “Na Paróquia, experimentamos a realidade da comunhão dos Santos, intercedendo a Deus pelos falecidos, e nela fortalecemos a esperança cristã na vida eterna”.
Partindo das ruas, das praças, das casas, e passando pelo ambiente religioso, onde se encontra uma multidão, até chegar ao Altar da Celebração Eucarística e da novena de São Francisco de Assis, o Santo da devoção predileta do povo, me veio a vontade de nos perguntarmos: Quantos cristãos, cristãs batizados (as) espalhados (as) pela extensão territorial de uma Paróquia, circulam, atualmente, de uma maneira efetiva e afetiva, atenta, constante e comprometidamente no mundo real em que se desenvolve a vida da Igreja Paroquial em missão: Templos, Pastorais, pequenas comunidades? A quem atingimos, de fato, com nosso trabalho de evangelização?  Que convicção e desempenho missionário revelam ter os evangelizadores das nossas Comunidades Paroquiais nas diversas áreas da sua atuação?
Nas Paróquias da Diocese de Sobral estamos realizando, com as Santas Missões Populares, um esforço concentrado e mais dinâmico de evangelização, acentuado na Semana Missionária, no intuito de renovar e tornar mais viva, coerente, atuante e fecunda a fé em Jesus Cristo, nosso Salvador definitivo, do qual, pelo Batismo nos comprometemos ser discípulos (as), missionários (as).
Talvez, tenhamos em vários acontecimentos, como, por exemplo, a campanha eleitoral, agora acontecendo em nossos municípios, grandes ou pequenos, uma espécie de espelho que mostra a cara e a alma de muitos católicos, e até católicos militantes e, igualmente, uma espécie de termômetro para se medir o grau de convencimento da sua razão e do interesse, devotamento e paixão do seu coração com relação a Jesus Cristo que nos garantiu a felicidade eterna e os duvidosos salvadores que aparecem nas campanhas eleitorais prometendo um instante de felicidade no tempo presente.
Na antiguidade, as cidades eram identificadas com expressões religiosas, símbolos religiosos. Se Jerusalém era a Jerusalém da Paz, Sodoma era a Sodoma da corrupção.
Vivemos, hoje, sabemos, numa sociedade consumista, materialista, insensível, utilitarista, gananciosa, com tendência cada vez maior para a prática de uma religião intimista, sociedade capitalista, corrupta. Nelas são muitíssimos e muitíssimas as pessoas que fazem do prazer, do poder, do dinheiro, do ter seus ídolos, seus deuses. As alegrias, os prazeres, as felicidades dos sentidos que se corroem lhes bastam. Estão contentes com a felicidade aos pedaços misturada em momentos de infelicidades. E dentro dela, é, portanto, cada vez mais difícil a vivência e o testemunho dos valores evangélicos; mas, se quisermos, realmente, vivermos a realidade da Comunhão dos Santos e seguir o Jesus Cristo do Evangelho que nos indica o caminho da salvação, que não se obtém de modo mágico ou pelo simples fato de sermos cristãos católicos.
Jesus Cristo no discurso inaugural da sua missão, na sinagoga de Nazaré, aponta quais os primeiros destinatários da sua pregação: os pobres, os presos, os cegos, os oprimidos.
Em Mateus capítulo 25, encontramos a identificação de Jesus com os famintos, sedentos, forasteiros, desnudos, enfermos, presos, deserdados do mundo.
A parábola do bom samaritano fala da atitude do viandante diante da vítima; a cura do leproso levou essa casta de marginalizados para o convívio social.
Finalmente, seguindo Jesus, através da leitura do Evangelho, pelos caminhos da Palestina, vemo-lo sempre praticando, vivendo a fraternidade e a solidariedade, a solidariedade radical e definitiva de Deus com toda a humanidade. 
Jesus foi plenamente fiel ao Projeto de salvação de Deus Pai para a humanidade, concluindo com o sacrifício da cruz e ressuscitando após a morte.
Se acreditamos numa vida depois da morte, devemos nos esforçar para sermos testemunhas de Cristo, portador da vida nova, pensando e vivendo a salvação proposta pela fé, buscando na Palavra de Deus apoio e luz que esclarece nossos problemas, nossas dificuldades, nossas fraquezas, os desafios que temos a enfrentar, e nos ajuda em nossa caminhada na família, na comunidade onde moramos, estudamos, nos divertimos, na Igreja, que freqüentamos.
A Palavra de Deus é o espelho no qual nos vemos e nos avaliamos. Jesus nos mostrou e nos anunciou que é no rosto das pessoas que nós descobrimos o rosto do Deus da eternidade que um dia contemplaremos face a face. 
Se não vamos construindo uma vida com igualdade, justiça, fraternidade e solidariedade estamos fugindo do caminho que nos conduzirá à comunidade do Céu.
É hora, pois, de vivermos a fé por decisão e não apenas por tradição. Não é suficiente nos preocuparmos em visibilizar a nossa fé, tantas vezes, unicamente individual, nesta sociedade do Espetáculo, da Mídia: é necessário aprofundá-la, partilhando o pão e o amor solidário com aqueles, aquelas, que não o têm e vivem humilhados (as), discriminados (as), injustiçados (as). Lutar pelos direitos humanos é, sem dúvida, também um dos sinais de ressurreição.
Devemos fazer um esforço cotidiano para a comunhão na terra entre todos e todas, no horizonte de tudo quando Jesus Cristo ensinou e viveu, na oração e na ação, e sem que vejamos nas Celebrações litúrgicas, Eucarísticas, em nossa convivência comunitária, social, religiosa, “judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher” – como disse Paulo na sua carta aos gálatas 3,28 – nem branco nem preto, nem gente com anel ou sem anel no dedo, dizemos nós, mas, vendo-nos todos e todas irmãos e irmãs, estaremos, realmente, fortalecendo a nossa esperança cristã, que nos abrirá as portas para a Comunidade do Céu, onde viveremos em comunhão com Deus por toda a eternidade.

Pe. José Edson Magalhães
                                          

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Carta Dom Antônio Fernando Saburido-Falecimento Mons Edson Magalhães

 
ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

Olinda, 29 de março de 2010.
 
Caríssimo amigo
Padre Raimundo Nonato Timbó de Paiva
Administrador Diocesano de Sobral

Foi com sentimento de pesar que tomei conhecimento do repentino falecimento do nosso querido irmão Mons. José Ednon Magalhães. 
 
Durante os anos em que estive à frente da querida Diocese de Sobral, sempre tive no Pe. Edson, como gostava de ser chamado, a imagem de: amigo fiel, conselheiro sábio e verdadeiro companheiro das horas doces e amargas. Admirava muito sua visão de Igreja comprometida com os pobres, além do seu ardor missionário.
 
Ele parte para a casa do Pai, exatamente no início da Semana Santa, que culmina com a celebração da vitória de Cristo sobre a morte. Na plenitude, desfruta agora da visão de Deus e será mais um a interceder por nós.
 
É esta verdade de fé que nos consola, no momento em que somos privados da presença de alguém que tanto amamos.
 
Apresento meus mais sinceros sentimentos aos seus familiares e amigos, queridos paroquianos e irmãos presbíteros. Todos são convidados a fazer, de bom grado, um ofertório deste irmão e conservar no coração seus ensinamentos e bons exemplos.
 
Aproveito para desejar a todos uma feliz e santa Páscoa.
Sempre unidos pelos laços de amizade e pelo dom da Fé,

Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
V Bispo Diocesano de Sobral e
Arcebispo de Olinda e Recife

Homilia na Missa de Exéquias do Monsenhor Edson

EM DIA COM A IGREJA – Pe. Valdery da Rocha*


“…SE ISTO AO BOM LADRÃO, QUANTO MAIS A TI…”

10/04/2010

(Homilia na Missa de Exéquias do Monsenhor Edson (Matriz de Acaraú, Diocese de Sobral – 30 de março de 2010 , às 9 horas)

Convidado pelo Administrador da Diocese, Reverendissimo Pe. Nonato Timbó, para proferir nesta Santa Missa, a homilia das exéquias de Monsenhor José Edson Magalhães concluí por me dar o direito de não recusar seu apelo, não confiado em meus pobres méritos, mas tão somente lembrado de que ele, Monsenhor Edson, há pouco tempo, havia confiado a mim a honrosa tarefa de fazer a homilia em seu Jubileu de Ouro Sacerdotal celebrado aqui, no patamar desta Igreja, a 19 de janeiro de 2008. O motivo que monsenhor Edson alegou para a escolha foi que eu o conhecia muito bem. Por ser verdade, não duvido que, se lhe tivesse sido dada a oportunidade de escolher o pregador de suas exéquias, de novo escolheria a quem conviveu com ele, estreitamente e há mais de 45 anos, e que guarda dele as melhores referências de homem dedicado à Pastoral, do homem culto, versado no conhecimento das Sagradas Escrituras, da Filosofia e da Teologia, sempre cuidadoso em se atualizar através de leituras e de Cursos que, até nestes últimos dias, freqüentava com assiduidade. Não é sem razão que, dentre nós sacerdotes, tinha em casa a melhor e mais completa biblioteca.
Aceito o convite, dei-me ao trabalho de, por respeito a ele, colocar antes no papel o que deveria falar aqui. Era para lhe ser fiel, imitando-o no seu jeito responsável, jeito que guardou até o fim, de escrever suas ricas homilias e pregações, mesmo aquelas que seriam dirigidas às comunidades mais simples de nossas paróquias.
Quem foi Monsenhor Edson? Alguém que, há mais de 50 anos, no dia 19 de janeiro de 1958, nesta Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Acaraú, pelas mãos de dom Avelar Vilela Brandão, por indicação de dom José Tupinambá da Frota, bispo diocesano, foi ordenado sacerdote tomando para si, como força inspiradora de sua missão, as palavras que o evangelista Lucas coloca na boca de Jesus, quando este quis por à prova os que queriam segui-lo: “Vai também e anuncia o Reino de Deus” (Lc. 9, 60). O jovem sacerdote, nascido aqui também, a 12 de outubro de 1931, fez de sua vida um serviço ao Evangelho. 

Durante 7 anos e cinco meses na Paróquia de São Francisco da Cruz, da qual foi o primeiro Vigário, e por longos 44 anos e seis meses, na Paróquia de Acaraú, onde, com muita saúde e força de trabalho, celebrou as alegrias de seu Jubileu de Ouro sacerdotal.
O itinerário de Monsenhor Edson foi o mesmo de gerações de sacerdotes que entre nós fizeram a Evangelização. E nos acostumamos a ver, repetidamente, heroísmos em jovens que deixaram tudo para seguir o Mestre. No caminhar da sua vida, conscientemente, ele se consumiu e se entregou ao serviço do Senhor, na igreja diocesana de Sobral. E qual “vela acesa no altar do sacerdócio gastou sua vida toda para acender luzes na vida do povo de Deus.”. Gerações de crianças, de jovens, de casais novos e maduros, e de famílias inteiras poderão dar seu testemunho agradecido das sábias orientações que receberam de seu pastoreio em Acaraú e em Cruz. Uma gratidão sentida que se estende aos seus pais. A eles que o trouxeram à vida: Quincas Magalhães e dona Eulina Brandão, os dois já chamados para a Casa do Pai.
Com apenas 12 anos, nem adolescente ainda, foi o pequeno Zéedson, à semelhança de tantas outras crianças, encaminhado pelos pais ao Seminário da Betânia, em Sobral, em tempo de difícil comunicação, a 8 de fevereiro de 1944, para ali aprender os caminhos da seara do Evangelho; aprendizado que continuou até o final dos seus estudos filosóficos e teológicos no Seminário da Prainha, em Fortaleza, no final de 1957.
Quando monsenhor Edson se ordenou padre, tudo de novo que hoje temos na Igreja, ainda estava por acontecer. Atentos aos sinais do tempo, atualizado, ele buscou responder às inquietações e apelos do momento, inserindo-se de já nas orientações e projeções do Concílio Vaticano II que, em vida, ele vê, com tristeza, serem esquecidas e deixadas à margem.
Afeito à reflexão, cedo, no seu primeiro trabalho como Pároco em Cruz, percebeu a ingente tarefa de transformação que lhe competia na evangelização para aqueles dias. É o está registrado no livro de tombo da Paróquia de Cruz, escrito por ele mesmo, a 3 de maio de 1958, antes de completar um mês de sua chegada: “Ninguém pode negar que o povo da sede da Paróquia é em geral religioso. Trata-se, porém, como costuma acontecer em quase toda parte, de uma religiosidade sem fundamentos racionais. Não é o cristianismo objetivo, o cristianismo que se encontra nas páginas do Evangelho, o cristianismo do Cristo, afinal.O cristianismo vivido ou praticado pelo povo é um cristianismo engendrado ao seu gosto, indulgente, desvirtuado.”
Antecipando-se, marcou seu primeiro paroquiato pelas inovações: na preparação e execução das festas do padroeiro, desvinculando-as da preocupação com arrecadação de dinheiro; pela inclusão de leigos e leigas na evangelização direta; pela criação inusitada de equipes pastorais, com reunião quinzenal: Equipe de Influência; Equipe de Aniversário; Equipe de Enfermos; de Casais; de Liturgia; Equipe da Boa Imprensa; Equipe da Cáritas; Equipe da Catequese.
Desde cedo, nas suas reflexões em grupos ou nas homilias que pronunciava, sempre fazia, com agrado, o papel da consciência crítica da sociedade e da Igreja. Entendendo que a configuração do padre é com Cristo – Bom Pastor, foi constante numa solidariedade concreta com o povo de Deus, sem vínculos ideológicos ou interesses de política partidária. Como tal o padre será, sim, pai, irmão, amigo. Esta compreensão certamente, o impediu de tornar-se, como lhe era sugerido, um líder político, ou um mero assistente social. 

Mas não o dispensou de sofrer com o seu povo em dificuldade. È o que deixou registrado, já em agosto de 1958, quando, ao assumir sua primeira Paróquia (Cruz), viveu as agruras de mais uma seca nordestina: “A seca está castigando duramente o pobre povo. E nesta hora de caminhada tão exaustivamente dolorosa para o nosso Calvário, só contamos com um Cirineu: o Episcopado americano que nos manda u’a migalha de leite em pó. Não adianta bater às portas dos poderes públicos, porque aos nossos reclamos, respondem sempre com um revoltante sorriso de indiferença e de incredulidade.”.
Quem conviveu com ele sabe que, entre nós, ele foi aquele que melhor entendeu o ser do presbítero como “co-responsável” pela edificação da Igreja local como um todo. O trabalho em comunhão, também com Cristo, torna mais suaves os deveres pastorais dos presbíteros, como acenou o Evangelho: “o meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt. 11 30).
É por isso que a sua ação, durante muitos anos e até a pouco tempo, como Coordenador e Vigário Episcopal neste Regional, fez desta Região Vale do Acaraú, reconhecidamente, uma das mais integradas do conjunto de Regiões que formam a Diocese de Sobral. Mérito dele.
Monsenhor Edson! Este belo templo dedicado a Nossa Senhora da Conceição, que a sua lucidez e zelo de pastor, ao cuidar dele, durante 45 anos, conservou original, nada acrescentando ou retirando, acolhe nesta manhã de terça-feira da Semana Santa, diante de seu corpo inerte, as orações e as homenagens de seus familiares, de seus colegas sacerdotes, de seus paroquianos de Acaraú, Cruz, Jijoca, Aranaú, Caiçara e Celsolândia, das autoridades civis, de seus inúmeros amigos e amigas, admiradores de seu trabalho e de sua missão.
Monsenhor Edson! A ciência médica, sabemos, atestou que você não ouve mais, não fala mais; que seu coração parou na manhã de ontem, dia 29. Sim. Mas a fé nos anima a entender que não será demais esperar que você esteja ouvindo estas palavras, esteja vendo esta multidão de amigos que lhe prestam uma última homenagem; que não será demais esperar que seu coração mesmo se emocione com a beleza destes cânticos que tantas vezes você ajudou esta comunidade a cantar, a beleza desta liturgia que, como sacerdote e ministro do altar, você tantas vezes presidiu. Sustenta-nos esta certeza a verdade da Comunhão dos Santos, a verdade do Evangelho de João quando diz: quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá. Se isto não basta, socorra-nos a razão a palavra que Jesus, no Evangelho de Lucas, o cantador das misericórdias de Deus disse ao bom ladrão, na cruz. “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23,43). Se isto ao bom ladrão, quanto mais a ti que testemunhaste Cristo na terra, a ti que pediste fosse o teu corpo guardado nesta Igreja de Nossa Senhora da Conceição, aos pés do Coração de Jesus, a ti que foste amante da justiça e colocaste o melhor de tua atividade pastoral a serviço dos injustiçados e excluídos da sociedade, os quais animaste nas diversas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).
Monsenhor Edson, que pena que você nos deixou! Ficará o testemunho da tua amizade expresso na camisa que vestias ontem em tua caminhada matinal: “amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do coração…”. Não sei se você deixou anotado no livro de Tombo da Paróquia uma auto-avaliação do seu pastoreio em Acaraú. Mas, posso afirmar, em nome dos que te conheceram e viveram ao teu lado, que, com muita legitimidade, poderias anotar também como tuas, as palavras que São Paulo, sobre si mesmo, escreveu a Timóteo, as quais ouvimos na primeira Leitura desta Missa “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2 Tm 4,7).
Apenas abristes, domingo último, as solenidades da Semana Santa em tua comunidade religiosa, com a Festa dos Ramos, e Deus te convida para participares da Ceia do Senhor da Quinta-feira Santa, na outra vida, como vem sugerido no Evangelho de Lucas 22, 16: … “até que ela se realize no reino dos Céus”. Calvários já os tiveste pelo teu zelo pastoral desde os inícios do teu pastoreio em Cruz, na seca de 1958, calvários já os subiste pela tua sensibilidade humana de que eras ricamente dotado, quando não pelas agruras que tiveste de suportar em razão da maldade ou da malícia humanas. Agora é a Ressurreição. A Páscoa.
Monsenhor Edson! Em tua vida testemunhaste a Palavra que proclamaste. Agora que o Senhor te chamou para junto de Si, podes ir ao seu encontro e ouvir dele estas palavras: “Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor” Mateus, 25,21). Nossa Senhora da Conceição, Mãe de Jesus, o Salvador e Mãe da Igreja, te receba e te recomende a Ele. ‘O coro dos anjos te receba e com Lázaro, o pobre de outrora, possuas o repouso eterno” (Ritual católico de exéquias). Amém.
Pe. Valdery da Rocha-Professor do Instituto de Teologia e Pastoral (ISTEP) e Pároco de Cruz
Fonte: http://jornalcorreiodasemana.wordpress.com

Paroquiato de José Edson Magalhães em Cruz-Ce

Paroquiato de José Edson Magalhães em Cruz-Ce
(06.04.1958 a 05.09.1965)

Em seu livro: Um sonhador… Um realizador, Maria de Lourdes Vasconcelos (Lurdinha), que iluminada, tão bem relata os fatos da vida de Monsenhor José Edson Magalhães. Um registro impecável, com preciosidades da vasta e riquíssima biografia de nosso primeiro vigário, dedica um capitulo inteiro, e que servirá de base bibliográfica para o capítulo deste escrito, a passagem do “semeador” à frente de nossa Paróquia.
Transcrevo na íntegra, o primeiro parágrafo da página 49 do livro supra, que relata a nomeação do então Pe. José Edson Magalhães, a saber:
“Desígnio de Deus para uns, destino para outros; a verdade é que, aos 19 de março, dia de São José, no Palácio Episcopal, à hora do Almoço, presentes o clero da cidade de Sobral, Pe Sabino de Lima, vigário de Acaraú e Pe. José Edson Magalhães, a pedido de Dom José, o Pe. Francisco Austregésilo de Mesquita, então reitor do seminário, depois bispo emérito de Afogados da Ingazeira – PE, hoje falecido, lia a portaria de nomeação, lavrada no dia anterior, do Pe. José Edson Magalhães para vigário da nova Paróquia de São Francisco da Cruz, terra de Antonio Teixeira Pinto e Francisco Rodrigues de Oliveira Magalhães, seu avô paterno”.
Então aos seis dias do mês de abril, daquele abençoado ano de 1958, em uma manhã festiva para a população da pequena comunidade de Cruz, tomava posse, em missa solene o jovem “semeador” Pe. José Edson Magalhães.
Estava começando ali, um longo processo que viria a transformar a provinciana mentalidade sócio-cultural das famílias cruzenses, presas ao paradigma de uma Igreja com moldes ainda medievais, que tinha agora, um jovem e culto padre, com a missão de fazer a “passagem” para as novas diretrizes do Concílio Vaticano II, tirando a aristocrática e inatingível figura do padre, para uma nova, com mais cara de povo, mais próxima, mais pastora…
E assim foi, o paroquiato de Pe. José Edson Magalhães – O Semeador, que se aqui fôssemos relatar tudo quanto foi idealizado e concretizado por ele, não nos seria possível um compêndio de sua ação frente a nossa Paróquia.

Fonte: Paulo Roberlando da Silva Ribeiro

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Pe. José Edson Magalhães-Uma vida, Um ação

José Edson Magalhães, nascido na cidade de Acaraú, aos 12 de outubro de 1931, filho de Joaquim Rodrigues de Oliveira Magalhães e de Eulina Alice Magalhães.

Sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana desde 19 de janeiro de 1958. Logo que foi odernado sacerdote, assumiu a recém-criada Paróquia de São Francisco de Assis da Cruz, do então município de Acaraú, aos 6 de abril de 1958. Foi o seu primeiro trabalho como pároco. Aí ficou por sete anos e cinco meses.

Na Paróquia de cruz:

-Fundou a associação da Pia União das Filhas de Maria, Obra das Vocações Sacerdotais, Apostolado da Oração;
-Construiu o salão paroquial com finalidade pastoral (reuniões diversas das equipes de pastoral) e educacional (onde funcionou a 1ª escola organizada pela paróquia – Instituto São Francisco – sob a direção de Pe. Edson e Fátima Brandão – professora acarauense convidado por ele para ajudá-lo neste trabalho);
-Mandou planear em volta da Igreja Matriz, pois lá era um antigo açude, que quando chovia estava prejudicando a calçada da Igreja;
-Mandou Planear algumas ruas e praças;
-Deixou a Casa Paroquial erguida;
-Adquiriu um transporte paroquial;
-Adquiriu alfaias, paramentos e material diversas para o culto;
-Colocou serviço de som (amplificadora);
-Fundou equipes de influência, de aniversário, de enfermos, de casais, de liturgia, de boa imprensa, de cáritas, de catequese bem organizadas;

Construiu uma história nova nos aspectos humano, cristão e social nessa paróquia, criada com o seu decisivo empenho e colaboração.

Foi transferido por Dom Walfrido Teixeira Vieira para a Paróquia de N. Sra. da Conceição de Acaraú, sua terra natal, assumindo-a aos 5 de setembro de 1965, após o falecimento de Mons. Sabino de Lima Feijão.

Como seminarista, nos Seminários Menor, em Sobral, e Maior, em Fortaleza, assumiu tarefas diversificadas, inerentes à sua situação de seminarista.

Tem assumido funções diversas na Diocese de Sobral.
-Foi coordenador da Pastoral Diocesana de 1981 a 1985.
-Membro dos Conselhos Pastoral e Presbiteral da Diocese. Vigário Episcopal da Região do Vale do Acaraú desde 1992.
-Coordenador da Região Episcopal Vale do Acaraú, cargo que lhe foi confiado por Dom Walfrido de julho de 1965 a setembro de 1985; função reassumida a partir de 11 de setembro de 1989 até fevereiro de 1997, voltando a exercê-la outra vez desde 1998.
-Foi membro da Comissão Nacional do Clero e da Comissão Regional do Clero; desta foi presidente por dois anos.

Formado em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí e em Letras pela Universidade Estadual Vale do Acaraú. Participou de vários cursos de extensão nas áreas de Língua Portuguesa, Antropologia e Psicologia.

Como sacerdote tem assumido um apostolado profícuo. Sua meta de trabalho  é, e tem sido, o anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, como fonte de vida nova, a formação de comunidades e grupos pastorais.

Possui uma vastíssima biblioteca particular. Livros de assuntos diversos, desde coleções de História, Língua Portuguesa, Literatura Clássica e Moderna, Psicologia; e muitos outros de temas variados, inclusive na área da Eclesiologia, da formação humana... Homem estudioso, atualizado, sempre acompanhando as principais linhas de pensamento da Igreja e da sociedade em geral.

Cuidados com a Igreja Matriz

Há 41 anos cuida com muito esmero desta Igreja;
Recuperou-a, totalmente, para o Sesquicentenário da Paróquia, num período de 1 ano e 5 meses;
A pintura externa mudou da cor branca para a cor areia, usando tinta lavável;
Começou um novo trabalho de recuperação em 23 de julho de 2005, concluído em final de novembro de 2006 – 1 ano e 4 meses de trabalho;
Esta revisão começou pelo teto, estendeu-se pela pintura geral externa e interna;
Recuperação e acréscimos na instalação elétrica interna;
Instalação elétrica externa, totalmente refeita.

Mons. Edson Magalhães-Momentos


Concelebração 150 Anos da Paróquia
Dom Fernando e Padres do Vale do Acaraú







Mons. Edson Magalhães-Biografia por Vicente Freitas


Em uma tarde bonita do dia 12 de Outubro de 1931, nascia José Edson Magalhães em Acaraú. Seus pais, Joaquim Rodrigues de Oliveira Magalhães (Seu Quincas) e D. Eulina Alice Magalhães.

Quatro irmãos: Dois homens, Francisco Elbo e Carlos Alberto; Duas mulheres: Eglantine, a mais velha da prole e Marlene. O filho caçula é Carlos Alberto.

Seu pai era um conceituado agropecuarista. Vivia dos trabalhos de Agricultura, gado e carnaubais em terra da Tapera. Um homem sério em tudo.

Sua mãe tinha as prendas do lar. Prendas, de fato, sabia organizar sua casa com muito zelo; bordava e cozinhava como maestria. Foi professora quando jovem e vereadora já depois dos 60 anos.

José Edson fazia estudos preliminares com sua mãe, mulher de estudos feitos em Sobral, em um colégio de qualidade. Depois, matriculou-se na escola de D. Maria Cássia, uma escola particular, de ensino de boa qualidade. José Edson Magalhães também estudou na escola do Pe. José Inácio que preparava meninos para o seminário.

Daí partiu para o seminário São José, em Sobral; depois para o Seminário em Fortaleza, já no ano de 1952.
Foi ordenado sacerdote do Senhor Jesus em 19 de Janeiro de 1958.
Depois, fez curso de revalidação de filosofia, na Faculdade Federal do Piauí.
Fez curso de letras na Faculdade de Filosofia D. José em Sobral. Foi aluno brilhante desde os tempos da escola de Maria de Cássia até os cursos de Faculdade.

Brinquedos preferidos: jogar futebol com colegas de seminário; o tempo, quando criança, era mais usado para os serviços ajudando a seu pai. Mas gostava de brincar nas camboas, pegar passarinho com meninos da sua idade. Saiu de casa com apenas 12 anos.

O gosto pelo futebol continua.

Entre suas manias... Ler; lê muito jornais e livros.

Comida preferida; Gosta de galinha caipira, bolo e pudim. “Hoje não se come o que se prefere, mas, come-se o que a idade e a saúde permitem”, dizia.

Gosta de ler, de escrever, é perfeccionista; ajuda as pessoas das mais diversas formas; produzir seus pensamentos; não gosta da falsidade, de injustiça, de brincadeiras na hora do sério.

Seus sonhos; Ver uma sociedade mais igual, os desfavorecidos tendo vez, publicar o livro sobre a festa religiosa, o livro de pensamentos, ver Fátima formada e realizada na vida.

Monsenhor Edson Magalhães; Recebeu o Presbiterato, a 19 de janeiro de 1958, na Igreja Matriz de Acaraú, das mãos de Dom José Bezerra Coutinho, Bispo Auxiliar de Sobral. Celebrou sua primeira Missa Solene, na Capela de São Sebastião, no dia seguinte. Essa Capela fora construída pelo major Raimundo Coelho de Albuquerque, seu bisavô.

Foi o primeiro Pároco da Paróquia de São Francisco, de Cruz, de 1958 a 1965. Neste ano, com a morte do Mons. Sabino, tomou posse da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Acaraú. Nesta Paróquia deu prioridade à criação de grupos pastorais e comunidades eclesiais de base. Construiu centros comunitários nos bairros e Centro de Educação de Líderes (Centro de Treinamento). Coordenou a construção de capelas. Vigário Episcopal da região do Vale do Acaraú, por três vezes. Coordenador da Pastoral da Diocese de Sobral; Vice-Presidente da Comissão do Clero Regional Nordeste I; membro dos Conselhos Presbiteral, Pastoral e Consultores Diocesanos. Foi Secretário Geral do 1º Encontro Nacional do Clero, em São Paulo.

Em 2008, já Monsenhor, José Edson Magalhães comemorou cercado de colegas Padres e da comunidade católica de todo o Ceará, 50 anos de ordenação. Monsenhor Edson, como fazia todas as manhãs, caminhava durante cerca de uma hora, fosse na praça da Matriz de Nossa Senhora da Conceição ou nos jardins de sua residência.

Hoje, sem que ninguém visse, foi acometido de um fulminante enfarto que o levou ao solo. Seu corpo caído, praticamente sem vida, foi encontrado minutos depois por uma de suas auxiliares que pediu socorro e o levou para o Hospital Moura Ferreira, onde já chegou sem vida.

JOSÉ EDSON MAGALHÃES
* 12 de Outubro de 1931
+ 29 de Março de 2010

Biografia por : Vicente Freitas