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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Criação Diocese do Baixo Acaraú

A criação de uma Diocese no Baixo Acaraú, compreendendo as Paróquias de Santana do Acaraú, Morrinhos, Marco, Bela Cruz, São Francisco da Cruz, Itarema, e Acaraú, há muitos anos constitui um dos grandes sonhos da catolicidade dessa vasta e populosa região litorânea.
E, como é natural, o município de Acaraú tem pleiteado que, uma vez criada, seja mesma Diocese sediada nesta cidade. 

Em artigo editorial do jornal O ACARAÚ, edição de 15.1O-55, já dizíamos: - "Há longos anos vem-se falando na criação de um nôvo Bispado no Ceará, a ser sediado nesta cidade que, pela sua posição geográfica no Estado, atenderá perfeitamente  aos interêsses religiosos desta região".

O tempo, que não espera por ninguém, foi transcorrendo, em data de 25 de agôsto de 1956, uma Comissão composta drs. Nélson Andrade Sales, Expedito Albano da Silveira e José Teúnas Ferreira de Andrade, em nome do Centro Acarauense, entendeu-se, em Fortaleza, com os Exmos. Srs. Dom Antônio de Almeida Lustosa, então Arcebispo do Ceará, e Dom José Tupinambá da Frota, então Bispo de Sobral, sôbre a criação da Diocese de Acaraú, mostrando-se, então, o saudoso Dom José francamente favorável à pretensão dos acarauenses

E, encorajados pelas palavras de esperança que ouviram, logo dois dias após, aquêles ilustres conterrâneos promoveram, entre a Colônia acarauense domiciliada naquela Capital, uma arrecadação de contribuições, para ocorrer as despesas com a futura Diocese do Baixo Acaraú, conseguindo angariar a importância, de Cr$ 20.000,00, que então representava quantia relevante.

A 2 de setembro do mesmo mês e ano, o dr. Nélson Sales, Prefeito Geraldo Benoni Silveira e numerosos outros elementos da sociedade acarauense, realizaram, no Recreio Dramático Familiar, uma reunião, também com o objetivo de conseguir donativos para igual fim, arrecadando, então, mais Cr$ 30.000,00, perfazendo, assim, um total de Cr$ 50.000,oo. Essa importância, no dia imediato, isto é, a 3-9.56, foi entregue, em Sobral ao Exmo. Sr. Dom José Tupinambá da Frota, pelos srs. dr. Geraldo Benoni Silveira, dr. Nélson Sales e sr. Manoel Damião da Silveira. Destinava-se, aquela quantia, a satisfazer as despesas iniciais. E a documentação foi preparada. De modo que, a 6-11-57, o jornal UNITARIO. de Fortaleza estampava esta alviçareira notícia: - "Por intermédio da Nunciatura, acabam de ser remetidas à Roma, propostas para a criação das Dioceses de Tauá, Iguatu, Itapipoca e Acaraú. E adiantava, o conceituado vespertino: - "Pelo que conseguimos saber junto à Secretaria do Arcebispado, o resultado da criação das 4 Dioceses poderá chegar a qualquer momento". E O ACARAÚ, de 15-11-57, assim afirmava: - "Os acarauenses, fiéis aos seus ideais cristãos e progressistas, nem um só instante abandonaram o objetivo colimado, que era, e é, conseguir a elevação desta Paróquia à categoria de Bispado". E adiantava: - "Acaraú não deixa de reunir grandes possibilidades, sobressaindo, entre outras, o Patrimônio de nossa Padroeira, que é mais rica do Estado, se não de todo o Nordeste. E é preciso notar que, provavelmente, não será desprezado êste aspecto, por isto que um Bispo bem que carece de recursos financeiros suficientes, para criar e manter obras de assistência social, religiosas e educacionais, dentro do território da sua Diocese e entre o rebanho confiado ao seu zêlo apostólico",

Entretanto. o tempo passou, e não mais se falou no assunto.

Hoje, decorridos 13 anos depois dêsses movimentos, criadas já foram as Dioceses de Iguatu e Itapipoca, Crateús e Quixadá. E o Baixo Acaraú ainda continua confiando e esperando a sua Diocese, como é de justiça, mesmo porque é possível que somente os rendimentos dos Patrimônios paroquiais de Acaraú, Bela Cruz e Marco sejam suficientes para a manutenção da Cúria Episcopal.

Fonte: Município de Acaraú - Nicodemos Araújo

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

História - Livros

Vida e Missão de Mons Edson Magalhães
Histórico das Festas da Padroeira - Mons Edson Magalhães
Biografia dos Padres do Ceará-1700 a 2004 - Aureliano Diamantino Silveira

sábado, 18 de dezembro de 2010

Breve Histórico da Paróquia-3


ANO JUBILAR
05 de setembro de 1832 – 05 de setembro de 2007
175 anos de Paróquia


Vamos continuar nossa história, que fez história.

De 1962 a 1965 acontecia o Concílio Vaticano II, que trouxe modificações diversas para a Igreja na essência e na prática. Entre elas, missas celebradas na língua portuguesa, com o celebrante de frente para a assembléia.

Um ponto especial a ser destacado: a valorização do leigo como agente de pastoral. Vieram as pastorais diversas, os trabalhos em grupo.

O leigo passou a ser visto como importante na Igreja. Foi chegando devagar. Começou, por exemplo, o Dia do Senhor, as CEB’s... a presença do leigo passou a ser forte nos diversos ministérios da Igreja.

Nesta fase de transição, de renovação pós-conciliar, Mons. Sabino de Lima deixa a paróquia vaga. Para assumi-la é convocado o Pe. José Edson Magalhães. O padre que trouxe a novidade com a preocupação de formar comunidades e organizar trabalhos com grupos. O homem do novo.

São 175 anos de missão a serviço da construção do Reino de Deus...

Breve Histórico da Paróquia-2

05 de setembro de 1832 – 05 de setembro de 2007
175 anosde Paróquia

Vamos continuar nossa história. Apresentamos, agora, PADRES COOPERADORES:

Joaquim Severiano de Vasconcelos, de setembro de 1902 até 1905;
José Inácio Mendes Parente, de dezembro de 1942 a julho de 1943;
José Aristides Cardoso, de julho a dezembro de 1943;
João Batista Pereira, de julho de 1945 até 1946 e maio de 1949 a janeiro de 1950;
Cauby Jardim Pontes, março de 1947 a 1948;
Expedito Silveira de Sousa, janeiro de 1953 e novembro de 1955;
José Moreira Catunda, ano 1956;
Osvaldo Carneiro Chaves, anos 1957 e 1958;
Gonçalo de Pinho Gomes, 1963;
José Alves Saraiva, 1964;
Manoel Valdery Rocha, até setembro de 1965;
João Jesuíno Marques, 15 de agosto de 2004.

O povo desta Paróquia sempre foi privilegiado em ser coordenado por padres que faziam da sua vida um serviço à missão, conforme a realidade do seu tempo.

O atendimento catequético em toda a Paróquia, sede e capelas, era feito através da Congregação da Doutrina Cristã, que foi assumida nesta paróquia, no ano de 1921, nas eras do Padre Antônio Thomaz e continuadas pelos padres Arteiro e Sabino.

No paroquiato do Pe. Sabino, semanas eucarísticas eram realizadas com o objetivo de formar melhor o povo cristão: 1941, 1942, 1943, 1945.

Santa Missões já aconteciam sempre em toda a paróquia, sede e capela. Os missionários ficavam até 2 meses em missão com o objetivo de assistir o povo: 1939, 1945, 1946, 1947, 1948, 1949.

Associações, tais como o Apostolado da Oração, Mães Cristãs, Irmãos do Santíssimo, Vicentinos, Pia União das Filhas de Maria e tantas outras que faziam o povo compreender melhor o ensinamento do Evangelho.

Breve Histórico da Paróquia-1


 05 de setembro de 1832 – 05 de setembro de 2007
175 anos de Paróquia

Livro de Tombo

Um decreto da Regência Imperial criou a Freguesia da povoação da Barra do Acaracú. Vamos conhecer o decreto.

LIVRO DE TOMBO – PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO.
LIVRO 01. FOLHA 01.
   
“DECRETO – A regência, em nome do Imperador, o Senhor Dom Pedro II, tem sancionado e manda que se acente a Resolução seguinte, da Assembléia Geral, sobre proposta do Concelho Geral da Província do Ceará.

ARTIGO I – A Freguesia de Almofala fica removida para a povoação da Barra do Acaracu, competindo - lhe por distrito, dez léguas pelo litoral a leste e quinze pelo oeste e dez para o centro, que fica desmembrada das Freguesias a que pertencia e o seu nome será o de Freguesia da Barra do Acaracu;

ARTIGO II – O seu Parocho merecerá o que mereceu por Ley e costumes os demais Parochos da Província. Pedro de Araújo Lima, do Concelho de Sua Majestade Imperial, ministro e secretário D´Estado dos Negócios da Justiça o tenha afim entendido, e faça apresentar com os despachos necessários. Palácio do Rio de Janeiro, em 5 de setembro de 1832 – undécimo da Independência e do Império – Francisco de Lima e Silva – José da Costa Carvalho – João Braulho Muniz – Pedro de Araújo Lima. Está conforme – o Vigário Antônio Xavier Maria de Castro.”

Antonio Xavier Maria de Castro, Vigário Xavier, lutou pela afirmação dessa Paróquia. Foi o primeiro Pároco da Freguesia.

Historiadores afirmam terem estado aqui os padres Francisco Rodrigues Barbosa e Bernardo Clemente de C. e Oliveira nos anos de 1833 e 1834, respectivamente.

Antônio Xavier teve atuação como vigário até o ano de 1897, quando ainda assina livros de documentos da Paróquia. Em 1897, assume o vigário Antônio Thomaz, o poeta genial, que fica aqui até janeiro de 1911. Vem Pe. João Saraiva Leão de fevereiro a julho de 1911. Raimundo Monteiro Dias, de agosto de 1911 até maio de 1912. Em maio de 1912, Antônio Thomaz volta para assumir a Freguesia até agosto de 1924.

O Pe. Francisco Araken da Frota, Pe. Araken, foi Vigário encarregado de agosto de 1924 a janeiro de 1926. Assume o Pe. José Arteiro de janeiro de 1926 até 19 de julho 1931.

Em junho de 1932, vem Pe. Sabino de Lima, que aqui fica até sua morte em 26 de julho de 1965. Em 05 de setembro desse mesmo ano, vem coordenar essa paróquia Pe. José Edson Magalhães, que ainda está na função.

Desde suas origens, através do serviço de padres, religiosos, religiosas, associações, nossa Paróquia tem sido missionária, espalhando a Boa Nova do Reino e difundindo o Evangelho de Jesus.

O nosso povo de índole católica tem sido privilegiado com o trabalho missionário evangelizador.
São 175 anos de missão.

sábado, 11 de dezembro de 2010

História da Paróquia-1


Criação da Freguesia
Desde seus primórdios, a população do modesto povoado marítimo chamado Barra do Acaraú, desejava a criação de sua Freguesia.

Não obstante, uma dificuldade quase insuperável vinha criando sérios obstáculos a satisfação dessa justa aspiração coletiva; era a longa distância que o separava da Capital, de par com a escassez de prestigio daqueles que se encontravam a frente ou direção do lugarejo.

A 12 de setembro de 1866 foi criada a Freguesia de Almofala, outro povoado marítimo vizinho, localizado quase a foz do rio Aracati-mirim. Tal fato agiu como uma ducha de água fria, no seio da comunidade acarauense e que perdeu, então, metade de suas minguadas reservas de esperança,

Todavia, por influência, talvez, de colonos estrangeiros que aqui vinham chegando e aqui vinham ficando, a Regência Trina, composta dos corifeus, brigadeiro Francisco de Lima e Silva, e deputados João Brandão Muniz e José da Costa Carvalho, a 5 de setembro de 1832, sancionou e deu publicidade ao Decreto Imperial da mesma data, criança a Freguesia da Barra do Acaraú.

Desta maneira estava satisfeito um antigo deseja daquele povo trabalhador e ordeiro. Fora criada, finalmente, a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Acaraú.

A Matriz  
Ao longo dos anos e dos séculos, em todos os oito e meio quilômetros quadrados que integram a superfície do nosso glorioso Brasil- Terra de Santa Cruz - a formação de um aglomerado humano teve inicio, quase sempre, com uma capelinha.

Geralmente, em torno dessa capelinha, as moradias foram sendo construídas, e, ao sopro do progresso, a povoação foi-se ampliando com novas ruas e praças, à medida que a população ia aumentando e prosperando.

Consoante assevera o escritor Gustavo Barroso, "é a capela que surge, a igreja que a substitui e, enfim, a matriz em torno da qual a vila é formada e ali se transforma em cidade. Preside a tudo o espírito cristão. E a sombra da cruz que assim, povoa e civiliza o deserto".

Foi isto mesmo que sucedeu em Acaraú. Como dissemos, as primeiras casas aqui levantadas, foram dispostas em ruas, no objetivo de formar-se um amplo quadrilátero.

Dizem que no meado do século XVIII os moradores da povoação de Acaraú, localizada quase à embocadura do Rio das Garças, resolveram edificar uma capelinha, na qual seriam realizados os atos do culto cristão.

Então o Pe. Agostinho de Castro Moura, que naquela época residia no povoado de Almofala, a pedido dos representantes da Barra do Acaraú, aqui veio, para escolher um local conveniente onde deveria ser construído o pequeno templo.

Como era crível aquele sacerdote deu preferência exatamente ao ponto onde hoje se ergue a majestosa Igreja-Matriz de Acaraú, já pela conveniência do terreno; já em razão das moradias existentes no local.

A população ficou satisfeita com a escolha, e, de imediato, começou a construir a capela, que foi consagrada a Nossa Senhora. Entretanto, as condições financeiras dos interessados, não lhes permitiram fazer mais do que uma igrejinha de taipa, coberta de palha, pois a telha e o tijolo eram materiais de difícil aquisição, naquelas "priscas eras que bem longe vão".

O templo era de tão acanhadas dimensões que, no ano de 1849 aqui esteve, em Visita Pastoral, a Cônego Antônio Pinto de Mendonça, a qual deixou de realizar uma cerimônia solene, "porque a dita casa de oração não tem capacidade para isso".

O eminente historiador F. Sadoc de Araújo afirma ˜o POVO de 14.11. 82 - que "não encontrou, até hoje, qualquer documento que faça menção a essa capela".

Na verdade, em nosso livro "Município de Acarau", publicado em 1971, dissemos que nos faltavam documentos idôneos, motivo porque os informes que ali registramos sobre referido templo, foram colhidos na tradição oral, única fonte de que então podemos dispor, e que nos deu a capelinha como levantada em 1749.

O saudoso Bispo D. José Tupinambá da Frota, em seu precioso livro "Historia de Sobral", 1ª ed. pag. 31, informa que, no tempo das charqueadas - 1745/1790 - "era incessante o trânsito entre a Vila de Sobral e o porto de Acarau", e que "não menos de 900 carros trafegavam continuamente nos meses do verão".

Dai se pode concluir que o número de moradores da Barra do Acaraú já era relativamente apreciável. E dado a espírito religioso da época, e fácil acreditar-se que então houvesse um local próprio onde as fieis se reunissem para o exercício do culto, em comum. E foi isto, exatamente, o que nos levou a crer no que então nos informaram sabre aludida capelinha.

E acresce que ate hoje não tínhamos conhecimento da "Ermida de Nossa Senhora da Guia", construída, pelo Pe. Francisco Gonçalves Ferreira Magalhães, em 1815, e mencionada por Mons. Sadoc, em seu utilíssimo trabalho publicado em O POVO. E provável, até, que nossos informantes a confundissem com a igrejinha de paredes de taipa a que aludimos tanto em "Município de Acaraú" como no presente livreto.

Com as recomendações do Cônego Mendonça, o Vigário Antônio Xavier sentiu a necessidade de reformar a igrejinha que já tinha foros de Matriz. Convocou, então, a população toda, a começar pelos mais recursados. E graças ao seu trabalho e a colaboração da comunidade, dentro de pouco tempo a capelinha foi substituída por uma igreja de alvenaria, coberta de telhas.

Para dirigir os trabalhos dessa construção, o Vigário nomeou uma Comissão composta a dos Srs. Albano Jose da Silveira, Raimundo Nonato de Araujo Costa e dele próprio.

Posteriormente, o renomado missionário, Pe. Jose Antônio Ibiapina também trabalhou na Matriz, dotando-a de alguns melhoramentos.

Entre os anos de 1878 e 1879, a Comissão designada pelo Governo Provincial, para distribuir alimentos aos flagelados da seca, aproveitando o plano de reforma do Pe. Ibiapina, mandou construir algumas obras na Matriz. Em 1902, o Pe. Joaquim Severiano de Vasconcelos, por determinação do Pe. Antônio Tomás, mandou construir naves laterais e substituir o teto.E de 1926/28 o Pe. José Arteiro Soares mandou forrar o teto e construir dois altares.

Em 1931 assumiu o cargo de Vigário da Paróquia de Acarau o Pe. Sabino de Lima Feijão. Jovem, vontadoso e dinâmico, pensou logo em uma reforma total na Matriz, serviço que teve inicio a 2 de setembro de 1943. O arquiteto e escultor italiano, Agostinho Baume Odísio foi contratado para superintender os trabalhos. Chamou, então, uma equipe de artistas e operários, e a obra teve inicio em ritmo acelerado.

Assim, no ano da graça de 1947, a 28 de novembro, teve sua festiva inauguração a nova Matriz de Acarau, com a benção, por S. Exa. Dom Jose Tupinambá, da Frota. Trata-se de um dos templos mais belos do interior do Ceará. Segundo opinião de Dom Edmilson Cruz, "a nossa Matriz avulta entre os demais templos do interior e de muitos da Capital do nosso Estado e quiçá do Nordeste, como uma vitoriosa exceção, pela majestade de seu conjunto e pela beleza de suas linhas arquitetônicas" .

A Matriz cobre uma área construída de 2. 460m2, com um carrilhão composto de 7 sinos. Sua torre mede 45 metros, tendo no alto uma bela escultura de Cristo, de braços abertos.

O atual Vigário de Acaraú, Mons. José Edson Magalhães, que desde sua posse no cargo, vem imprimindo um ritmo novo aos trabalhos de pastoral, pondo em prática um programa de ação evangélica verdadeiramente admirável, tem dotado aquela Matriz dos requisitos necessários ao conforto dos fieis que ali assistem os atos cristãos.

E assim que, alem das periódicas limpezas gerais do enorme prédio, em 1972 foi ali instalado um serviço de som com 9 alto-falantes. E a 15 de julho de 1978, novo equipamento sonoro teve a Matriz, com 16 alto-falantes e 3 microfones, alem de 11 ventiladores.

Sesquicentenário da Paróquia  
Neste ano de 1982 transcorre o 150.° aniversario da Paróquia de Acaraú, que foi criada a 5 de setembro de 1832.

Mons. José Edson Magalhães, dinâmico Vigário desta unidade da Diocese de Sobral, desde a Festa de N. S. da Conceição, sua Padroeira, vem promovendo a comemoração deste magno acontecimento histórico e religioso de nossa terra, e o vem fazendo com especial devotamento.

A Igreja Matriz vem sendo sensivelmente beneficiada, desde a construção de calçadas suplementares até a substituição do teto. Igualmente está sendo feito um novo revestimento de paredes externas, bem como a pintura interna e externa, que foi totalmente renovada. A instalação elétrica foi totalmente substituída, visando a uma iluminação mais eficiente e mais copiosa. Ao mesmo tempo vem sendo realizado um vasto programa de atos religiosos alusivos ao Sesquicentenário. E uma Missão de frades do Convento de São Francisco da Bahia, em breve estará realizando pregações em todas as Paróquias da Região do Baixo Acaraú.

Imagens da Padroeira
A primitiva imagem de Nossa Senhora, Padroeira da capela e depois Matriz de Acaraú, ao que nos consta, através da tradição oral, era uma escultura da Virgem, pequenina e grosseira, trabalhada em cerâmica.

Entretanto, no ano de 1832, quando foi criada a Freguesia de Acaraú, um grupo de senhoras aqui se organizou em comissão, com a finalidade de angariar recursos, para a compra de uma escultura maior, já que a capela fora ,elevada a Matriz.

E trabalharam de tal maneira, essas senhoras, que, em 1838, quando o Pe. Antônio Xavier assumiu o múnus paroquial nesta cidade, já encontrou no altarzinho outra imagem, medindo 80 centímetros de tamanho e esculturada em madeira.

No transfluir dos anos, como vimos, a nossa Igreja Matriz passou por algumas reformas, sendo convenientemente ampliada. Fazia-se preciso, por isto mesmo, que o vulto da Padroeira tivesse dimensões condizentes com as dimensões do altar-mor.

Então, no ano de 1889, o nosso eminente conterrâneo, Comendador Antônio de Miranda Araújo, autorizou o Pe. Antônio Tomás, então Vigário de Acaraú, a fazer encomenda de uma nova escultura da Virgem da Conceição, cujas despesas correriam par conta dele, Miranda Araújo. Encomendada a imagem, a Casa Açucena, no Rio de Janeiro, a mesma aqui chegou no final do mesmo ano. Sua bênção efetuou-se a 11 de março de 1900; sendo oficiante o Vigário Antônio Tomás, com extraordinário comparecimento de fiéis.

Mencionada escultura, trabalhada em madeira, mede 180 centímetros e é uma primorosa obra de arte sacra, que ainda se acha no altar da Matriz.

Capela de Santo Antônio
Ao que estamos informados, no 1º quartel do século XIX foi levantada aqui uma capelinha em honra de Santo Antônio, localizada no lugar onde se construiu o Grupo Escolar 7 de Setembro (hoje Escola de 1º Grau Pe. Antônio Tomás).

Este templo foi mandado edificar pelo Pe. Luiz Martins dos Santos Araújo, que no mesmo foi sepultado, tal como desejava em vida.

Antônio Bezerra assim alude à referida igrejinha: "Não longe da Rua da Municipalidade existe outra capelinha que foi levantada em honra de Santo Antônio; mas atualmente permanece em completo abandono". Aludida capela foi mandada demolir, pelo Vigário Antônio Xavier, em 1885.

A capela consagrada a São Benedito e localizada na Rua Vigário Xavier, se deve ao Major Francisco Theófilo Ferreira, e foi construída em 1870. Sua benção foi oficiada em 1873, pelo Pe. Jerônimo Tome da Silva, o qual chegou a ser Arcebispo Primaz do Brasil, na Bahia.

Antônio Bezerra fala das festas memoráveis ali realizadas, com enorme afluência de fiéis. Em 1981 a tradicional capela a passou por uma reforma, isto e, foi pintada totalmente e teve suas portas substituídas. O trabalho dirigido pela Sra. Izaura Rios, teve autorização do Mons. José Edson Magalhães.

Capela de São Sebastião
A capela de S. Sebastião, nesta cidade, foi construída as expensas e sob a direção do Sr. Raimundo Coelho de Albuquerque, nos anos de 1923/25. Sua inauguração se deu a 13 de dezembro de 1925, pelo Exmo. Sr. Dom José Tupinambá da Frota. Ali celebrou sua 1ª missa Mons. José Edson Magalhães o qual auxiliado por seu tio, Manoel Oliveira Magalhães, vem conservando o lindo templo.

Neste ano de 1982, o Sr. Manoel Oliveira Magalhães procedeu a um notável• melhoramento na igrejinha. Assim e que a mesma foi protegida par uma grade de ferro pintado, com pé de cimento e alvenaria; um trabalho perfeito e eficiente de que estava carecendo mencionado templo.

A Festa anual de S. Sebastião e das mais concorridas desta Paróquia.
Fonte: Acaraú cidade centenária - Nicodemos Araújo
por Totó Rios

Primeira Missa nas Praias do Acaraú


Foto: Livro Raizes Portuguesas do Vale do Acaraú

A mando do governador Geral de Pernambuco, Gaspar de Sousa, o capitão Jerônimo de Albuquerque parte do Recife, a 1 de junho de 1613, em sua primeira viagem ao Maranhão, com o fim de expulsar os franceses que haviam se apoderado da ilha de São Luis. Após pouco mais de um mês, incluindo a demora no Forte do Amparo na barra do rio Ceara onde apanhou por companheiro a Martim Soares Moreno, a esquadrilha aportou na ponta de Jericoacoara (Buraco das tartarugas) e ai foi levantado um pequeno forte de pau-a-pique, a que foi dado o nome de Fortim de Nossa Senhora do Rosário.

Por temer ataques de corsários, Jerônimo guarneceu Por temer ataques de corsários, Jerônimo guarneceu o fortim com alguns soldados, sob seu comando, e enviou Martins Soares Moreno até o Maranhão com a missão de trazer noticias seguras sobre a situação da ilha de São Luis. Por causa dos ventos contrários, Martim não pode retornar a Jericoacoara e foi arribar nas Antilhas, ilha de São Domingos, de onde seguiu para Espanha, sendo atacado por flibusteiros que o levaram preso para França. Percebendo Jerônimo de Albuquerque que Moreno não retornava a Jericoacoara, desconhecendo seu destino, resolveu desistir da continuação da viagem ao Maranhão e retornou ao Recife, aonde chegou a 26 de maio de 1614.

A 26 de julho, o governador Gaspar de Sousa recebeu ordem de Madri para fazer Jerônimo de Albuquerque empreender nova viagem de Conquista ao Maranhão, 'tendo em vista o malogro da primeira. Este, porém, já havia saído, por terra, no dia 22 de junho, com o fim de formar um contingente de índios da Paraíba. O Governador preparou uma esquadra sob o comando de Diogo Campos Moreno, tio de Martim, tendo a bordo dois padres franciscanos: Frei Manuel da Piedade e Frei Cosme de São Damião. Partiram do Recife no dia 23 de agosto, pelas sete horas da manha. Tres dias depois, aportam no Forte dos Reis Magos, Rio Grande do Norte, onde se juntam com Jerônimo de Albuquerque, que ali já se encontrava, e prosseguem viagem para o Maranhão.

A 5 de outubro de 1614, um domingo dentro da festa de Nossa Senhora do Rosário, a esquadrilha abica a praia de Jericoacoara e ali é celebrada missa de ação de graças, ao lado do Fortim, por estar no tempo Iitúrgico da festa de sua padroeira.

Dizem velhas crônicas da época que Frei Manuel da Piedade presidiu a solene celebração eucarística e pronunciou comovente sermão, intercalado com trechos em português e tupi, sendo auxiliado por Frei Cosme que dirigiu os cânticos, acompanhados ao som de órgão e flautas. Foi a primeira missa rezada nas praias do Acaraú, marco histórico dos primórdios da evangelização nessa parte do litoral cearense.
A cerimônia foi solenissima e participada ativamente por mais de quinhentas pessoas que oraram, com devoção, e cantaram entusiásticas loas a Senhora do Rosário.

Segundo informa F. A. Pereira da Costa, em “Anais Pernambucanos”, vol. 2, p. 330, “esquadrilha era composta de cinco caravelões, dois patachos e uma caravela, com cerca de trezentos homens, tanto marítimos como soldados arcabuzeiros, e com mantimento de seis mil alqueires de farinha, cem arrobas de peixe, vinte canastras de sardinha, vinte quintais de pólvora, tres peças de ferro fundido, duzentas balas de ferro e grande copia de arcabuzes e mosquetes, chumbo e marrão.»
Além dos trezentos marítimos e soldados, informa ainda o historiador pernambucano, havia mais de duas centenas de índios: “A frota devia escalar no Rio Grande do Norte para receber os índios que Jerônimo de Albuquerque escolhera das aldeias da Paraíba, cujo numero atingia a mais de duzentos”.

Esta segunda viagem de Jerônimo de Albuquerque ao Maranhão foi chamada de “jornada milagrosa”, pois segundo diz Candido Mendes de Almeida, em “Memória para o extinto Estado do Maranhão”, p. 172, aos dois frades franciscanos «não se deu coisa alguma da fazenda de Sua Majestade, antes eles de esmolas se aviaram de cálices, ornamentos e tudo o mais do culto divino necessário e da comida, com que fizeram infinitas caridades a todos os da jornada a que puseram nome “a milagrosa”.
Igual informe nos fornece, quase com as mesmas palavras, o citado trecho do livro de Pereira da Costa: “Acompanharam a expedição dois franciscanos do convento de Olinda, Frei Cosme de São Damião, que havia sido guardião do convento da Paraíba, e Frei Manuel da Piedade, pernambucano, de preclara familia, teólogo e perfeito conhecedor da língua tupi. A estes religiosos nada se deu para a viagem, mas eles de tudo se supriram por meio de donativos particulares e assim, alem das suas abundantes provisões, levaram paramentos e alfaias para a celebração dos atos religiosos”.

As peripécias desta viagem constam da “Breve Relação da Jornada da Conquista do Maranhão”, escrita pelo capitão de forasteiros Manoel de Souza Eça que havia partido de Pernambuco, na expedição de 27 de maio, e estava então no presídio do Buraco das Tartarugas, de onde seguiu para o Maranhão incorporado aquelas forças expedicionárias.

Desta mesma fonte sabemos mais “que os caravelões e a caravela eram precedidos pelos dois patachos, em um dos quais tremulava, no mastaréu de joanete no mastro de proa, um estandarte branco em que estava pintada uma efígie de São Tiago, padroeiro da jornada. Os capitães das caravelas eram João Gonçalves Baracho, Manoel Vaz de Oliveira, Luis de Andrade e Luis Machado. A mulher do soldado João Neto servia de enfermeira. A viagem total durou de 23 de agosto, quando a esquadrilha partiu do Recife, a 28 de outubro de 1614, dia em que chegou a São Luis do Maranhão.

Os dois religiosos franciscanos, que celebraram a primeira missa nas praias de Jericoacoara, tornaram-se personagens integrantes dos primórdios de nossa história, pelo que damos a conhecer alguns dados de suas biografias, para nosso reconhecimento e nossa admiração.
Frei Manuel da Piedade nasceu em Olinda em 1581, sendo filho de João Tavares e Constança Dias. Seu pai foi o primeiro governador da Paraíba (1585-1588) e o comandante de sua reconquista. Sua mãe, informa Domingos Loreto Couto em sua obra “Desagravos do Brasil e Glórias de Pernambuco”, p. 301, era “descendente de nobre prosápia”.

A 13 de março de 1598, professou na ordem franciscana, no convento de Olinda, tendo ai lecionado filosofia ate 1614, quando se integrou voluntariamente na excursão de Jerônimo de Albuquerque na segunda viagem ao Maranhão. Dali regressou em 1616 ao mesmo convento de Olinda, onde esteve ate fins de 1617, quando seguiu para Ipojuca na qualidade de guardião do convento local. Em 1620, retornou a Olinda com a missão de ensinar, sendo eleito, em 1627, guardião do convento, cargo que exerceu até a invasão dos holandeses em 1630.

Quando esse convento foi abandonado, passou-se para o da Paraíba. A 11 de dezembro de 1631, quando atendia a moribundos no Forte de Cabedelo, foi ferido mortal mente pelos holandeses, vindo a falecer no dia 18 do mesmo mês.

Loreto Couto, na obra supracitada, o coloca em primeiro lugar entre “os religiosos naturais de Pernambuco que na religião seráfica floresceram em virtude e doutrina” e, após fazer-lhe um longo elogio sobre o profundo conhecimento que possuía da língua indígena e sobre suas virtudes, descreve com detalhes sua morte: “Empenhado Sisgismundo Vanscoph, general holandês na conquista da provincia da Paraíba, para onde se tinham retirado os moradores das praças conquistadas, preparou uma poderosa armada, e saindo do Recife e arribando a ela, deitou gente, artilharia e munições em terra, com todas as demonstrações de sitiar a fortaleza do Cabedelo. Era capitão-mor da cidade o Governador da Capitania Antonio de Albuquerque, a quem o primeiro rebate pôs na campanha, com todos os moradores que a brevidade do tempo e o repente do assalto Ihe deixou conduzir. Eram os com bates a medida dos dias e, em todos, assistia o servo de Deus Frei Manoel da Piedade com desprezo da própria vida metendo-se intrepidamente por entre nuvens de balas, exercitando a obrigação de confessor e o oficio de soldado.
Ao tempo em que furiosamente em um desses encontros se combatiam os nossos com os holandeses, com manifesto perigo se meteu pelo meio dos esquadrões para acudir com remédios da alma aos mais que lutavam com a morte do que com o inimigo, quando querendo a fortuna vender aos pernambucanos por tão custoso preço a vitoria deste dia, ou sendo chegado o tempo de se remunerarem os seus heróicos padecimentos, foi o servo atravessado pelo peito com uma bala, que Ihe tirou a vida transitória para começar a eterna”.

Segundo Frei Jaboatão informa no “Orbe Seráfico”,I, 1, p. 185, era da principal nobreza do Brasil, grande teólogo e excelente língua, por falar corretamente o tupi.
Tinha um irmão mais velho, Frei Bernardino das Neves (alibi, de Santa Maria), que missionou entre os potiguaras do Rio Grande do Norte e foi o primeiro sacerdote franciscano brasileiro, de quem trata Frei Venâncio Willeke em «Miss6es Franciscanas no Brasil», p. 53, tendo professado em 1588 e falecido em 1608.

Quanto a Frei Cosme de São Damião, companheiro de Frei Manuel da Piedade na jornada do Maranhão, sabemos que e português, natural da freguesia de São João de Guilhufe, concelho de Penafiel, onde nasceu a 18 de novembro de 1574. Dele trata profusamente Frei Basílio Rower, em «A Ordem Franciscana no Brasil», p. 166-122.

Loreto Couto (obra citada, p. 354) diz que “foi filho de Gonçalo Manoel e de sua mulher Comba Luiz”. Professou no instituto seráfico de Olinda, a 20 de janeiro de 1598 e, por ordem de seus superiores, acompanhou a Jerônimo de Albuquerque, “quando no ano de 1614 foi a conquista do Maranhão e nesta agreste e dilatada vinha semeou a palavra divina com tanto fruto, que parecia se animavam as suas vozes com o espírito dos primeiros promulgadores do evangelho. Entregue a oração e exercícios de penitencia muito rigorosos, recebeu de Deus singularíssimas mercês. Teve o dom da profecia e graça de fazer milagres”.

De regresso do Maranhão continuou a trabalhar no convento de linda, sendo eleito custódio no ano de 1633.
Faleceu no convento da Bahia a 1 de novembro de 1659, “com aclamações de santo e manifestou o Senhor as virtudes heróicas deste seu fiel servo com a voz de milagres depois de sua morte”.

A 26 de abril de 1500, domingo da pascoela, foi celebrada a primeira, missa no Brasil pelo franciscano Frei Henrique de Coimbra. Coube também a um franciscano, Frei Manuel da Piedade, celebrar a primeira missa nas praias de Jericoacoara, a 5 de outubro de 1614, dia em que começou a raiar a luz do Evangelho nesta região do Vale do Acarau.

Nesta oportunidade, e oportuno sugerir ao pároco local e ao prefeito do município de Cruz, a cuja jurisdição pertencem a capela e o distrito de Jericoacoara, que façam justiça a memória do piedoso franciscano e do notável evento histórico, fazendo erguer um monumento comemorativo ao acontecimento e tornando Frei Manuel da Piedade epônimode uma rua ou praça da sede dessa vila, tão cheia de possibilidades de desenvolver seu precioso potencial turístico.

 Fonte: Raizes Portuguesas do do Acaraú-Pe. Sadoc F. de Araújo

  por Totó Rios